FAUSTO




Caminhando por uma calçada difícil de transitar onde os blocos de concreto estavam quase totalmente destruídos e esburacados; raízes de árvores antigas rasgaram o concreto em várias calçadas que se tornaram tão acidentadas quanto terrenos íngremes nas subidas de montanhas. Somando-se a isso anos de descaso tanto dos moradores locais, responsáveis pela conservação das calçadas, quanto da prefeitura municipal sobre quem recaía a responsabilidade da manutenção das árvores que estavam tão altas que seus galhos já ameaçavam romper com os fios da rede elétrica.
Fausto ficou de olho em todas as direções, procurando se esconder de alguém que o pudesse identificar. Ele saiu de casa logo no início da tarde; sabia bem aonde devia ir, tomou o ônibus e meia hora depois estava caminhando num bairro diferente do seu. Um bairro que ele não visitava há muito tempo e no qual viviam algumas pessoas que o conheciam, ao menos conheciam sua aparência. Por isso tinha certa urgência em fazer o que devia e em seguida sumir o mais rápido possível. Por mais que gostasse de criar situações que colocassem os outros em perigo, não queria se demorar ali mais do que o necessário, tinha muita coisa para planejar e fazer. E começaria com alguns acertos de contas antigos; situações que ficaram pendentes quando da última visita; mas agora que estava definitivamente de volta ia cobrar algumas dívidas de sangue.
Não havia encontrado nenhum rosto conhecido. Mas não abaixou a guarda, continuou sendo o mais incógnito que pôde.
Trajava calça jeans escura e antiga, mas não surrada nem desbotada ou rasgada, não gostava dessas coisas, preferia se vestir de forma pouco chamativa, mas sem modismos anárquicos típicos da juventude; usava tênis asics, camisa do time de futebol do arsenal de Londres sob um casaco de couro maleável e marrom cujas mangas estavam perfeitamente dobradas até os cotovelos. Uma arma também estava sob o casaco às suas costas devidamente escondida; embora pudesse fazer coisas que a maioria dos seres humanos não imaginava, ele também gostava de manejar armas de fogo principalmente por causa do terror que elas incutiam nas pessoas. Muitos homens ao se depararem com fenômenos sobrenaturais ou coisas do desconhecido não demonstravam tanto medo quanto era de se esperar, tampouco pânico ou terror quanto quando eram colocados sob a mira de uma pistola, talvez isso se desse pelo fato de que por não entender plenamente tais fenômenos, o cérebro humano não conseguisse associar de forma satisfatória ou medir o grau de perigo ao qual estava exposto. E de certa forma aquilo frustrava Fausto na maioria das vezes, na opinião dele o homem era tão imperfeito que nem mesmo reconhecia quando estava diante de forças superiores. Mas tinha certeza de que um dia esse quadro ia mudar, quando ele começasse com o que chamava de “Sua Obra”.
Por isso Fausto apreciava muito mais apontar uma arma de fogo para uma pessoa, porque aí sim o cérebro humano parecia entender perfeitamente a relação de poder envolvida. As pessoas preferiam se deparar com o próprio diabo, mas nunca ninguém desejaria ficar frente a frente com o cano de uma revolver. Essa era a mentalidade moderna dos indivíduos.
Fausto adorava ameaçar pessoas com pistolas; primeiro porque sentia uma correlação revigorante de poder girando entre ele e suas vítimas, sentia o medo incontrolável jorrando pelos olhos e sentia a sua superioridade sendo materializada nesse medo primitivo de todo ser vivo. O medo de morrer.
Em segundo lugar, Fausto se regozijava intensamente em exercer autoridade sobre os outros e uma arma era o equivalente moderno aos relâmpagos de Zeus na antiguidade, ou seja, a ferramenta mais temida por toda a sociedade que ao contrário dos raios de Zeus que só podiam ser manuseados por ele, as armas modernas estavam ao alcance de todos.  Ele achava tudo aquilo extremamente delicioso e, fazê-lo, o elevava a um estado de espírito de grande euforia. Fausto se sentia mais poderoso, mais temido e superior quando disparava uma arma do que quando lançava mão de seus outros atributos sobrenaturais, embora gostasse muito de usá-los também.
Ao sair de casa Fausto também lançou mão de seus óculos escuros de lentes grandes e armação fina do tipo “Ray ban”, usava também um boné enfiado na cabeça de modo que a aba escondesse parte do rosto. O boné tinha a logomarca de um grande hotel localizado na zona sul do Rio de Janeiro, mais precisamente na Av. Atlântica em Copacabana; a aba era bordada na frente e com a bandeira do estado do Rio igualmente bordada na lateral direita.
Ele caminhava com as mãos nos bolsos do casaco, o corpo curvado para frente como se sofresse de algum problema na coluna e a cabeça baixa para dificultar ainda mais qualquer identificação de uma pessoa que pudesse julgar conhecê-lo.
O sol da tarde não estava tão quente quanto ele esperava que estivesse, fazia muito tempo que não saia da prisão e quis dar uma boa olhada nas coisas antes de acertar as contas com uma pessoa em especial. Na verdade seria a segunda numa série de quatro.
Precisava eliminar essas pessoas porque conheciam seus segredos e Fausto não era burro, sabia que havia outros com propensão a ser como ele ao redor do mundo e não queria despertar mais atenção sobre si antes de alcançar a plenitude do que era. Ou do que deveria ser.
Em certa ocasião Fausto utilizou sua “força estranha”, um de seus muitos dons sobrenaturais, num parque de diversões; queria ferir um grupo de pessoas bem específico, mas não conseguiu; seus planos foram frustrados por causa do heroísmo de um jovem. Foi nesse parque que ele conheceu uma dessas pessoas especiais, viu exatamente como o rapaz era superior aos demais seres humanos aglomerados num grande turbilhão. Fausto fez questão de cumprimentá-lo, estava feliz por ver outro ser superior e prometeu a si mesmo que tão logo cuidasse dos assuntos mais urgentes; teria uma boa conversa também com aquele jovem promissor e especial.
Enquanto andava olhando as pessoas que dividiam a rua e também as calçadas com ele, Fausto procurava algo diferente, estava feliz e sua cabeça estava cheia de idéias que ele queria colocar em prática o mais rápido possível; sentia-se extremamente eufórico porque tinha certeza de uma coisa, não voltaria mais para a prisão agora que finalmente tinha conseguido escapar definitivamente; não sabia ao certo como. Sentia-se muito diferente da última vez que esteve livre; agora sentia-se mais disposto, mais forte e muito mais preparado para iniciar e terminar a Sua Obra.
Ao passar frente a uma loja, um estúdio de tatuagens, Fausto parou e olhou pela vitrine onde podia ver várias fotos contendo partes diversas de corpos tatuados; certamente eram fotos de clientes que viraram modelos a pedido do artista tatuador que atendia naquele lugar. Fausto ficou alguns minutos observando cada desenho com grande interesse, pensava ser uma boa idéia fazer uma tatuagem e ponderava cuidadosamente onde fazer e qual desenho seria mais oportuno para comemorar sua liberdade definitiva.
A vitrina de fotos mostrava braços, pernas, cochas, pés, costas, pescoços, ombros, punhos, panturrilhas, cinturas, glúteos e outras partes do corpo de homens e mulheres, mas não mostrava os rostos de nenhum dos modelos.
Os desenhos muito bem trabalhados e com riqueza de detalhes eram as representações perfeitas de animais como tigres, dragões, cães, lobos, cavalos e aves; ou insetos como borboletas, centopéias e escorpiões; seres fantásticos como fadas diversas, duendes e gnomos; ou mitológicos como centauros, faunos e minotauros. Fausto adorava minotauros e dragões; estes dois seres exerciam um grande fascínio sobre ele.
Havia também anjos e anjas com um ou mais pares de asas, bruxos e bruxas carregando seus livros de feitiços e vassouras encantada; demônios masculinos e femininos _ Fausto sorriu ao vê-las desenhadas, mulheres com curvas e trajes provocantes ostentando pares de chifres, asas de morcego e caudas em forma de seta_  outras tatuagens mostravam monges, reis, rostos de crianças, de mulheres, de homens, vultos históricos como Che Guevara, Mao Tse Tung, bandeiras de países e várias outras como bandeiras e escudos de times de futebol e grupos diversos; muitos objetos, desde tridentes até cruzes e uma infinidade de nomes tatuados com uma caligrafia bastante elaborada também completavam a coleção fotográfica devidamente exposta por trás do vidro frontal da loja. Sem dúvida o dono do estúdio era um artista digno de aplauso.
Fausto teve a certeza de que iria fazer uma tatuagem tão logo conseguisse algum tempo para si. Mas antes deveria resolver um assunto que ainda estava pendente.
Deixou a frente da loja de tatuagens imaginando qual daquelas obras de arte colocaria no corpo e também em qual parte do corpo ficaria mais satisfatório. Pensou em colocar um dragão enrolado ao tórax, mas achou que era muito chamativo e pouco significativo ou verdadeiro; qualquer pessoa podia fazer aquilo então, embora gostasse de dragões, desistiu de fazer um; na época atual dragões já não representavam o mesmo que em eras anteriores, muito de sua glória se perdeu no tempo e principalmente com a banalização dos mesmos em toda parte soterrados pela boçalidade dos homens e de sua cultura popular.
Imaginou se tatuar asas angelicais enormes em suas costas seria uma boa idéia, mas no fundo detestava anjos, sempre os detestou e não queria nada que pudesse estabelecer uma relação entre ele e os seres celestiais, mesmo que fosse apenas uma simples tatuagem.
Ponderou a possibilidade, então, de pedir ao tatuador que fizesse uma daquelas mulheres com chifres e rabo de seta, uma diaba, como se dizia, mas também não fazia o seu estilo; vários caminhoneiros tinham desenhos como aquele e por mais bem tatuados que ficassem, por mais riqueza de detalhes que o artista conseguisse colocar, ainda assim seria somente uma imagem sem significado algum, ao menos para ele. Desenhos semelhantes podiam ser encontrados com facilidade em qualquer revista em quadrinho dos últimos dez ou vinte anos ou em jogos de vídeo game ou livros de RPG dos mais diversos. No mundo moderno demônios eram apenas mais um objeto de entretenimento; só diversão. Toda a força e a grandeza do velho mundo estava se perdendo rapidamente com a evolução da sociedade humana.
Fausto conhecia muita coisa do submundo, sabia tanto sobre as criaturas do mal que já se considerava superior a muitas delas. Ele tinha esse conhecimento inato, nasceu com aquilo e se desenvolveu durante seus primeiros anos de vida e muito mais depois da prisão e do exílio. Anjos e demônios eram coisas que surpreendiam as pessoas comuns, mas ele não.
Continuou caminhando por ruas secundárias com pouco ou nenhum movimento para aquela tarde e enquanto andava ainda tentava decidir qual tatuagem poderia ter o significado que ele desejava, na verdade tratava-se mais de satisfação pessoal do que qualquer outra coisa, devia ser perfeita e transmitir todo um conjunto de informações que resumissem quem era ele. Não tinha a intenção de mostrar a tatuagem para ninguém, mas como ainda não estava totalmente pleno de sua consciência e memória, queria ver algo que gostasse toda vez que olhasse no espelho.
Pensou em pentagramas nos ombros, mas novamente cairia na mesma barreira moral, afinal, pentagramas na cultura popular geralmente faziam menção as forças do mal, forças decaídas corrompidas que as pessoas não conheciam e fingiam temer, embora ele já tivesse constatado que homens temiam mais uma bala de chumbo do que magia infernal.
Ele queria algo que remetesse a seres muito acima disso, seres da família das divindades absolutas; forças da natureza e ou do caos. Pensou em desistir de qualquer desenho por mais bonito ou bem feito que fosse e achou melhor recorrer a uma palavra, um nome na verdade, que fosse capaz de reunir as características que ele adorava e representasse o peso, o poder e a autoridade dos seres perpétuos; pensou num nome que denotasse tudo aquilo e ao menos num primeiro momento somente uma opção lhe ocorreu. Tânatos.
_ Tânatos!_ disse para si mesmo enquanto andava ainda tranquilamente. Surpreso por encontrar uma opção tão boa e tão rapidamente.
O nome era, ao menos em princípio, quase perfeito. Representava a única certeza da vida ao menos para as pessoas comuns; homens como ele e até mesmo como aquele jovem no parque de diversões não deveriam esperar ter o mesmo fim das demais pessoas, eles eram especiais; na verdade eram mais do que especiais. E podiam chegar a ser perpétuos; se conseguissem desenvolver todo o seu potencial sobrenatural inato poderiam até transcender a forma humana e isso era o que ele esperava conseguir algum dia.
Por trás dos óculos de lentes grandes e escura os olhos de Fausto se moviam sempre que via uma pessoa vindo em direção contrária à sua, andando nas calçadas ou ruas por onde ele estava passando e o nome Tânatos lhe parecia cada vez melhor e mais oportuno a cada instante; de fato, era um nome que ao menos em parte combinava uma porção de sua própria essência. Segundo a mitologia o nome significava a personificação da morte e não havia nada que o animasse mais do que aquilo.
Pensou em Ricardo e Mônica. Precisava encontrá-la.
Finalmente chegou à rua que desejava, ao virar na esquina se deteve por um minuto tirou as mãos dos bolsos e apertou uma contra a outra como que medindo o quanto de força era capaz de colocar num aperto. Estava pronto.
Andou rapidamente até uma das casas, poucas pessoas transitavam pelo lugar, mas um homem com o uniforme laranja da prefeitura da cidade varria cuidadosamente os paralelepípedos dos quais a rua era feita, retirando folhas secas de árvores em grande quantidade. E outro com a roupa da empresa de correios e telégrafos fazia seu trabalho apressadamente.
Fausto parou na frente da casa; era uma residência tão simples quanto qualquer outra da rua, muro com mais ou menos dois metros em cimento sem tinta alguma por cima ou qualquer detalhe que visasse melhorar a aparência do imóvel, o portão de ferro gradeado estava encostado, mas, se conhecia bem o dono do lugar, sabia que ele não costumava deixar fechado.
Era um bairro residencial e muito familiar, os índices de violência eram mínimos e além do mais, as pessoas se conheciam muito bem; era uma vizinhança muito entrosada e amistosa. Muitos bairros dos subúrbios e de municípios da baixada fluminense ainda mantinham aquele ar pitoresco e até mesmo bucólico em algumas regiões mais interioranas.
Experimentou o trinco de ferro do portão, puxando-o, e ele correu tranquilamente; não havia cadeado ou corrente para impedir.
Entrou calmamente no terreno construído com blocos de cimento como se fosse um grande mosaico terrestre também sem nenhum atrativo visual, não tinha beleza alguma. O carro do dono da casa estava ali do lado numa garagem improvisada sem cobertura e a mercê das intempéries da natureza, era um carro antigo e muito malcuidado, um Volkswagen Gol da segunda geração.
A casa tinha somente a porta frontal e uma janela protegida com grades de ferro escovado, não pintado, chumbadas na parede o que sem dúvida era uma forma de impedir invasores de entrar no domicílio por ali. A casa era antiga, construída há quase um século e fizera parte de uma vila assim como as demais casas da localidade, embora todos os vizinhos que compraram os imóveis acabaram fazendo reformas que renovaram e remodelaram cada domicílio de uma forma diferente. Apenas aquela casa mantinha o formato original, apenas com algumas poucas melhorias que só poderiam ser notadas com um olhar mais cuidadoso.
Ao lado e quase junto da porta estava afixada no chão sobre um suporte também de ferro uma caixa de correspondências de um modelo antigo semelhante a uma pequena casa com telhado triangular, praticamente uma peça de museu; geralmente elas ficavam nos muros das residências, mas por algum motivo aquela estava dentro do quintal e possuía alguns envelopes colocados de forma organizada dentro do espaço preparado para eles. Certamente aquele carteiro que estava andando pela vizinhança já devia ter passado pela residência e deixado todas as correspondências que trouxera com aquele endereço como destinatário.
Fausto retirou os envelopes sem nenhuma cerimônia, não pretendia abri-los, mas sim averiguar cada um deles, poderiam conter alguma informação que fosse útil para ele no futuro e caso isso acontecesse Fausto os levaria consigo, mas não foi o caso. Eram cinco ao todo, um da empresa de telefonia celular, outro da empresa de telefonia fixa; uma da caixa econômica federal, conta de luz e conta de água; todos no nome do dono da casa, nenhum deles era endereçado ou remetido por Mônica. Depois de olhar todas, não abriu nenhuma delas, mas estudou atentamente os envelopes e em seguida colocou cada uma dentro da caixa exatamente como estavam antes de serem retiradas. Julgou que não haveria nada importante em envelopes de contas e cobranças.
Fausto parou bem na frente da porta, havia uma pequena campainha redonda ao lado. Era velha e tinha uma aparência de que não estava funcionando há séculos, mantinha a cor de cobre envelhecido e parcialmente esverdeado, mas ele resolveu experimentá-la assim mesmo. Pressionou o botão com o dedo apenas por desencargo de consciência e ouviu um som de sinos em algum lugar dentro da casa, imediatamente, percebendo que o pequeno equipamento ainda estava funcionando bem, apesar da péssima aparência, a tocou outra vez e antes que o dono da casa viesse atender ele deu mais uma olhada ao redor, constatou que ninguém o estava observando da rua que deixara para trás. Ficou muito satisfeito com a tranqüilidade do bairro ao redor da casa, facilitaria muito o seu trabalho.
Mônica, provavelmente não estava ali naquele lugar, era muito óbvio, seria o primeiro local a ser verificado por qualquer pessoa que a estivesse procurando, mas alguém sabia onde ela estava e esse alguém certamente era o irmão dela, Leonardo. O único morador do lugar.
Fausto tocou a campainha mais uma vez e finalmente ouviu a voz de Leonardo vindo lá de dentro.
_ Só um minuto. _ respondeu do interior da casa.
O visitante se virou mais uma vez para checar se não havia alguém prestando atenção. Não havia ninguém.
Fazia muito tempo que Fausto não via Leonardo, e gostaria de saber como é que ele reagiria ao vê-lo parado na frente da sua casa.
Os passos vinham lá de dentro e Fausto divisou a silhueta de Leonardo através do vidro canelado da porta.
Ouviu o som da chave girando na fechadura e em seguida a porta se abriu parcialmente. O rosto branco e ossudo de Leonardo apareceu na fenda criada entre a porta e o batente lateral, cabelos desgrenhados e a cara amassada e vincada de quem estava dormindo e acabara de acordar. Parecia o rosto de uma fantasia de fantasma, branca, feita com algum lençol velho e recém saído de uma máquina de lavar. Estava péssimo. Mostrava o cansaço e os traços de quem havia exagerado nas bebidas.
Quando viu quem o estava esperando do lado de fora interrompeu o ato de abrir a porta; franziu o cenho tornado a face tão dura e sem expressão quanto uma máscara. Disse:
_ O que é que você quer aqui?
Fausto foi seco na resposta e tampouco demonstrou alegria alguma ou qualquer outro sentimento amistoso em ver o dono da casa.
_ Cadê a Mônica?
_ Ela não está aqui._ rebateu o outro.
_ Onde ela está?
Os olhos de Leonardo correram de um lado para outro como que procurando ver se havia mais alguém do lado de fora.
_ Não sei onde ela está._ afirmou.
As palavras que trocavam eram totalmente desprovida de qualquer sentimento de amizade. Os olhos de Fausto se estreitaram por detrás das lentes escuras como se ele estivesse tentando enxergar além das palavras de Leonardo. Sabia que o outro estava mentindo.
_ Preciso falar com ela.
_ Ela não quer mais falar com você. _ O irmão de Mônica rebateu novamente, já demonstrando alguma impaciência.
Leonardo trabalhava como vigilante particular no turno da noite em uma agência bancária, por isso estava em casa naquela tarde e em todas as outras também, mas antes do emprego no banco ele tinha trabalhado com Ricardo, “ex-marido” de sua irmã, no mesmo hotel durante quase cinco anos embora ocupassem funções distintas; Ricardo era encarregado de recepcionar as pessoas e trabalhar com o registro dos hospedes, liderava uma pequena equipe composta por quatro jovens mulheres talentosas, duas das quais eram apaixonadas por ele. Já Leonardo era um dos seguranças que atuava no primeiro turno, ou seja, diurno. Muito habilidoso e preparado, tinha pertencido ao corpo de fuzileiros navais da marinha do Brasil, por um período de cinco anos e serviu a maioria desse tempo no primeiro distrito naval na Praça Mauá, no centro do Rio. Recebeu baixa por motivos que ele jamais compreendeu; em seguida pensou em entrar para a polícia do Rio de Janeiro, mas Mônica e a família acharam que era perigoso demais, depois de muito relutar ele resolveu partir para a área da segurança particular, assim poderia aproveitar o conhecimento de armas adquirido através do corpo de fuzileiros e faria algo que gostava.
Logo que se formou no curso para segurança, ele não teve problemas para conseguir um novo emprego que foi justamente o hotel onde conheceu Ricardo, tornaram-se amigos e foi justamente Leonardo quem mais tarde ensinou Ricardo a atirar.
De fato, foi Leonardo também quem apresentou a Irmã para o atual ex-marido, na verdade não era ex-marido na concepção total da palavra, eles não eram casados de verdade no papel, não houve casamento formal algum nem no civil nem no religioso, Ricardo e Mônica apenas se apaixonaram e foram morar juntos pouco tempo depois de se conhecerem, na casa dele. Julgaram que daquela forma seria menos oneroso para ambos; nenhum dos dois queria gastar rios de dinheiro para bancar uma festa, ao menos não naquele primeiro momento, mas secretamente Mônica desejava que no futuro aquilo acontecesse, porém nunca forçou a barra, nem teve tempo.
Leonardo saiu do hotel porque tinha recebido uma melhor proposta de emprego nessa agência bancária no centro do Rio de Janeiro, muito próximo do quartel naval onde ele havia trabalhado antes e a diferença salarial que ganharia com o adicional noturno e outros benefícios extras seria de grande ajuda para suas pretensões. Desejava se mudar para uma casa melhor, um pouco mais ampla, de preferência com garagem e comprar um carro mais atual, talvez até um modelo popular zero quilometro.
Durante muito tempo Ricardo e Leonardo foram muito amigos e quando Ricardo passou a morar com Mônica foi ainda melhor, ao menos no começo, porque algo aconteceu, muito rápido; algo que assustou a irmã dele, ela suportou o quanto pôde até que não conseguiu agüentar mais e saiu de casa deixando o relacionamento para trás sem dar maiores explicações.
Na última vez em que os irmãos conversaram ela tinha falado sobre Fausto, mas não conseguiu explicar direito qual era sua relação com ele; Leonardo não entendeu, mas ainda pretendia conversar com ela a esse respeito.
_ Por que ela não quer falar comigo?
_ Não sei, nem me interessa saber. Saia da minha casa. Agora!
Logo que Leonardo soube que Ricardo, com seus ataques de insanidade, estava fazendo Mônica sofrer, a relação dos dois amigos ficou estremecida, tiveram vários bate-bocas por causa dela e certa vez quase chegaram às vias de fato esmurrando-se um ao outro. A amizade foi rapidamente substituída por um sentimento de raiva que foi sendo gradativamente alimentada por ambos, Leonardo não queria mais ver Ricardo em sua frente e deixou isso bem claro na última briga entre os dois.  Na visão de Leonardo, o mau-caráter do “ex-cunhado” se fingia de sonso e desconversava toda vez que alguém tentava falar sobre as coisas que estavam acontecendo no relacionamento deles. Ricardo fingia não saber do que Leonardo estava falando, jurava que Mônica estava inventando coisas para colocá-los um contra o outro e destruir a amizade que tinham construído no princípio.
Depois de algum tempo a situação entre os ex-amigos ficou insustentável e pararam de se falar. Na verdade começaram a se odiar, cortaram todo e qualquer contato.
_ Como eu encontro com ela?_ Fausto perguntou.
_ Não sei. Saia da minha casa.
_Acho que precisamos conversar.
Leonardo respondeu de um modo violento e fulminante:
_ Não!_ E já ia fechando a porta.
Fausto colocou o pé entre a porta e o batente impedindo que ela se fechasse completamente.
_ Acho que você não entendeu.
Leonardo já ia falar alguns desaforos para o outro quando a porta bateu contra a sua testa com muita violência, não estava esperando aquilo e o impacto foi com tanta força que ele saiu cambaleando de costa com a mão na testa e xingando tantos palavrões quanto se lembrava. Uma luz branca apareceu nos seus olhos por um momento, pensou ter visto estrelas com a pancada.
Fausto havia empurrado a porta de ferro contra o rosto de Leandro e em seguida entrou tranquilamente na casa fechando a porta atrás de si.
Leonardo praguejou enquanto Fausto girava a chave na fechadura para trancar a porta e em seguida colocava a chave no bolso do casaco.
_ Vamos ter uma conversa hoje._ disse o invasor._ espero que você colabore.
_ Você ficou maluco!_ Vociferou o dono da casa.
_ Onde está Mônica?
_ Ela não está aqui.
Rapidamente um hematoma avermelhado apareceu na testa branca e ossuda de Leonardo, a dor era localizada e certamente aquilo ia deixar uma marca roxa abominável no dia seguinte.
_ Sei que ela não está aqui. Quero que você me escute bem; você vai me dizer onde ela está e será melhor para todos nós. Principalmente para você.
Estavam na sala da casa, era pequena, mas bem arrumada, com todas as paredes pintadas em branco gelo e móveis dispostos de forma ordenada ao redor de uma mesa de centro baixa feita de vime e com superfície de vidro.
_ Mas o que você está fazendo seu..!
Fausto retirou os óculos Ray ban e os guardou no bolso do casaco junto da chave.
_Sente-se aí Leonardo.
_ Você ficou louco foi? Perdeu o juízo de vez?_ Leonardo passava a mão freneticamente sobre o lugar onde o ferro duro e frio da porta bateu, como se o esfregar continuo pudesse fazer desaparecer a mancha avermelhada que apareceu em poucos segundos.
_ Senta logo aí nessa cadeira. _ Fausto apontou para o sofá pequeno encostado em uma das paredes. Parecia feito de borracha cor de vinho.
_ Não vou sentar coisa nenhuma! Quero que você saia da minha casa. Agora. _O dono da casa levantou a voz, mas aquilo pareceu não surtir nenhum efeito. O outro continuava aparentemente muito tranquilo.
_ Acho que você não entendeu, eu não vou embora até você dizer em que lugar Mônica está se escondendo.
Havia uma estante logo atrás de Leonardo, e nela Fausto pôde ver várias fotografias colocadas em molduras de acrílico em tamanhos médio e pequeno.
_Não pode vir na minha casa e me agredir.
_ Pelo que sei a casa não é sua; é alugada._ Fausto se deliciou em dizer aquilo.
A casa era mesmo alugada e Leonardo não teve resposta para dar.
A testa doía e Leonardo xingou o outro mais uma vez, já que não conseguiu responder à provocação de modo igual. Em seguida disse:
_ Você é mesmo um miserável; porque não deixa minha irmã em paz.
Fausto não respondeu, caminhou para a estante ignorando momentaneamente o outro e viu mais de perto as fotos nas molduras de acrílico transparente. Rapidamente os olhos dele foram atraídos para uma foto onde estavam em primeiro plano, Leonardo abraçado a uma mulher que Fausto não conhecia, era morena e um tanto atraente; em seguida havia Mônica segurando uma menina sorridente com trancinhas em ambos os lados da cabeça e vestido florido que parecia, na visão de Fausto, caipira demais até para uma criança. Em segundo plano estavam um homem e uma mulher também desconhecidos, mas não de todo, já os tinha visto antes, e, por fim, ao fundo mais uma bela mulher e um rapaz do qual ele se lembrava muito bem. O jovem mostrado em diversos jornais meses atrás e com quem havia se encontrado ainda que rapidamente e no meio de uma multidão no parque de diversões.
Todos na foto estavam alegres e posavam descontraidamente num gramado verde e bem cortado sob a sombra de uma árvore grande e frondosa que a julgar pelo tronco devia ser uma mangueira. Em último plano estava uma bela casa.
_Onde é esse lugar?_Fausto perguntou.
_Não te interessa.
_ Está tornando tudo muito mais difícil e bastante desagradável. Quem são essas pessoas?_ insistiu.
Leonardo olhou para a foto que agora estava na mão do outro, havia sido tirada na festa de aniversário de Ingrid na casa de Patrícia, Heloi e Ingrid, dois meses atrás. Patrícia era prima de Mônica e Leonardo. E Mônica, por sua vez, era também madrinha da pequena Ingrid. Naquela ocasião em especial, Leonardo tinha ido à festa acompanhado de uma pessoa com quem estava se relacionando, namorando, mas que não deu muito certo. Era a mulher que estava abraçada a ele na foto; terminaram dias depois. Relacionamentos longos e estáveis eram muito complicados para a mente linear dele conseguir trabalhar e suportar por mais tempo do que alguns poucos meses.
Fausto sabia da ligação familiar que existia entre eles por isso tentou atingi-los no parque quando estavam na roda gigante. Mônica não tinha filhos com Ricardo e adorava crianças, principalmente aquela criança e sofreria terrivelmente se algo de ruim acontecesse com a pequenina Ingrid, na verdade a criança era praticamente o pilar central da família. Ele quase conseguiu no parque, mas ao fracassar não ficou de todo chateado, pelo menos conheceu outro homem especial. Outra pessoa que possuía as mesmas prerrogativas superiores que ele.
Não sabia onde aquelas pessoas moravam, mas ia descobrir; já os tinha visto uma vez no parque de diversões assim como o rapaz que também estava na foto. O rapaz especial que salvou a criança e que certamente deveria ter forças diferenciadas agindo em sua vida. Sentiu isso ao olhá-lo nos olhos em meio àquela multidão. Fausto não pensava ser capaz de encontrar outra pessoa como ele e pensou que aquele jovem poderia ser de grande ajuda se fosse apresentado a verdade sobre a origem de seus dons. Esperava poder convertê-lo aos mesmos propósitos que regiam sua própria vida.
_E esse rapaz; quem é?
Já totalmente impaciente e percebendo que Fausto não sairia de sua casa sem antes arrumar confusão, Leonardo falou:
_ Vá pro inferno! Sai da minha casa ou eu...
A foto já repousava no seu devido lugar e Fausto havia tirado a arma que trazia escondida nas costas, presa na calça, sob o manto do casaco de couro. Apontava o revolver segurando-o firmemente com a mão direita, dedo no gatilho e o braço estendido na direção do outro. Leonardo emudeceu instantaneamente.
_ Então será desse jeito._ Fausto pronunciou cada palavra de uma forma melíflua e sem pressa alguma.
Finalmente Leonardo sentou na cadeira, na verdade, deixou o corpo cair, ficou totalmente sem reação quando viu a arma apontada em sua direção.
Fausto adorou ver os olhos do dono da casa, transmitiam exatamente aquela correlação de poder e autoridade que ele tanto amava; era como se a pistola tivesse conferido repentinamente ao invasor uma espécie de aura de divindade, e o poder sagrado de tirar a vida do outro. Ou mantê-la se assim o desejasse.
_ Comece dizendo_ Propôs Fausto_ onde essas pessoas moram.
_ Não sei onde moram._ mentiu.
Fausto avançou um passo ainda com a arma apontada para o outro como se fosse a ponta de uma lança mortal pronta para desferir o derradeiro golpe. Ele disse:
_ Vou simplificar para você. Você me diz onde ela está e eu não faço você sofrer; prometo. Mas se negar que sabe onde ela está se escondendo mais uma vez, vou lhe causar tanto sofrimento que você vai amaldiçoar todos os poderes da criação por não aliviarem sua dor.
Leonardo apenas piscou, estava ponderando o que poderia fazer, mas os olhos ainda transmitiam o medo primitivo que alimentava o ego do outro.
_Você não é louco de atirar em mim aqui, o barulho vai chamar a atenção dos visinhos._ Foi o argumento mais plausível que encontrou. Mas não tinha tanta certeza sobre a veracidade de suas palavras.
Fausto deixou escapar um sorriso de desapontamento e balançou a cabeça positivamente como se concordasse com o que foi dito. Em seguida num movimento repentino disparou para o lado; a bala acertou o centro da televisão desligada, mas o mais incrível, inacreditável, foi que a arma não produziu ruído algum, nenhum estampido seco, nem mesmo um estalo, nada. E ela não estava com silenciador. Aquilo era impossível.
Havia um sorriso mais largo e muito mais maquiavélico na face de Fausto. Que disse:
_ Se eu matar você agora ninguém jamais vai saber.
Leonardo ainda não entendia como a arma disparou sem produzir som algum, ele conhecia de armas devido ao treinamento militar e sabia que uma pistola 9 mm jamais poderia disparar silenciosamente sem que um aparelho silenciador apropriado estivesse acoplado ao cano.
Tentou dizer alguma coisa, mas a saliva desceu garganta abaixo e impediu.
Foi Fausto quem falou:
_ Hora da verdade. Onde ela se escondeu?
Não teve resposta, não porque Leonardo não quisesse falar algo, mas sim porque ele estava confuso com o que tinha visto. O medo aumentou.
Vendo que a coisa não seria do modo que tinha programado, Fausto atirou mais uma vez e a bala acertou em cheio a perna de Leonardo que gritou de dor imediatamente e se contorceu de forma furiosa, mas nem o som do disparo nem o do grito apareceram no ar, simplesmente não ecoaram; era como se houvesse algum vácuo momentâneo que impedisse a propagação do som.
Aterrorizado, Leonardo tentou gritar segurando o joelho e se surpreendeu quando a voz apareceu junto com o movimento da boca, o vácuo tinha sumido, ao menos por hora.
_ Espera! _disse com a mão espalmada suja de sangue pedindo que Fausto não disparasse novamente_ Espera! Eu falo; pelo amor de Deus. Você atirou em mim!
A dor quente subiu rápido do joelho para a perna e um calafrio percorreu todo o corpo dele. O sangue também começou a brotar pelo lugar onde a bala tinha entrado, mesmo com Leonardo pressionando o orifício com a outra mão.
_ Dói não é?_ brincou Fausto._ onde ela está?
Leonardo fez força para segurar a dor, mas a cada segundo ficava mais difícil, ia precisar de ajuda médica e não podia perder tempo.
_ Calma! Calma! Eu digo.
_ Seja breve.
Leonardo fez uma careta.
_ Caramba! Essa porcaria tá doendo, você quer me matar.
_ Logo vamos saber. Onde ela está?Pela última vez. Não vou perguntar mais.
Leonardo precisava ganhar tempo, mas em contra partida não podia perder muito tempo tentando enrolar o outro, se perdesse muito sangue sua situação ia ficar muito complicada, mas não ia entregar a irmã nas mãos de um homem que certamente era um sociopata. Tinha duas opções desesperadas, mas eram as únicas. A primeira era tentar se engalfinhar com o invasor e tomar-lhe a arma, mas isso seria praticamente impossível porque já estava com o joelho estourado e o invasor mantinha uma distância calculada e segura, jamais o alcançaria com um simples rompante de heroísmo. A segunda opção era enrolar o adversário e lançar mão de uma arma que ele também mantinha na gaveta da estante atrás do outro, logo abaixo das fotos, mas não sabia como fazer isso visto que o inimigo estava bem no meio do caminho entre Leonardo e a estante, e novamente, o joelho não ia mais ajudar.
Sentiu como se micro agulhas estivessem sendo fincadas logo abaixo e acima do joelho ferido. A dor impedia de pensar com mais clareza e pela primeira vez Leonardo teve a certeza de que não sairia mais daquela sala.
_É hora de ir._ disse Fausto ao perceber que o dono da casa não ia colaborar.
Leonardo não sabia que se conformar com o último momento era algo tão fácil, não teve remorso, nem arrependimento algum; apenas se conformou.
Fausto puxou o gatilho com a precisão e frieza de sempre e Leandro recebeu o impacto no peito, rápido e limpo. O corpo absorveu o solavanco e foi de encontro ao encosto do sofá onde estava, permaneceu lá, imóvel e já sem vida. Fausto baixou a arma que mantinha apontada para o outro e contemplou-o apenas por um momento, não sentiu absolutamente nada com relação a ter ceifado a vida de mais um homem; em seguida retirou o vácuo que encobria a sala impedindo a propagação de qualquer som tanto de dentro para fora quanto de fora para dentro da casa. Leonardo não contava com aquilo.
Já que o irmão de Mônica não tinha revelado o lugar onde ela estava escondida, Fausto resolveu procurar qualquer coisa dentro da casa que pudesse dar uma indicação favorável e começou com a foto que estava na estante e que já tinha visto, pegou-a e depois começou a revirar todas as gavetas da casa, sala, quarto, cozinha; roubou todo o dinheiro que conseguiu encontrar. Pegou uma mochila dentro do guarda-roupas e colocou o porta retrato com a foto, todo o dinheiro que achou, cerca de quinhentos reais, o telefone celular de Leonardo, um relógio Bulova que achou escondido dentro de uma caixa debaixo da cama e as duas armas que o dono da casa mantinha no domicílio; um revolver que era devidamente registrado e uma pistola ilegal exatamente igual a de Ricardo, com alguma munição para ambas.
Antes de ir embora ele ainda teve o trabalho de enrolar Leonardo com lençóis e edredons, arrastá-lo pela casa até o quarto e colocá-lo dentro do guarda-roupa. Feito isso retirou os óculos escuros do bolso do casaco e colocou novamente sobre a face, saiu da casa e trancou a porta usando a chave que também estava em seu poder.
Ao voltar para a rua, Fausto começou o trajeto de retorno, queria chegar em casa antes do anoitecer, mas primeiro pretendia finalmente fazer sua tatuagem.

FÃ PAGE

LEITORES