Sombras interiores -- Érebus




Quando olhamos profundamente para dentro de nosso próprio interior, com verdadeira sinceridade, à primeira vista o que encontraremos serão nossos pensamentos, sentimentos e emoções mais superficiais, mas se continuarmos olhando além deles veremos algo que certamente nos amedrontará; veremos sombras obscuras, densas, profundas, antigas, extremamente fortes e terrivelmente corruptas; escondidas nos recantos mais distantes de nosso interior, sombras pulsantes, famintas, hediondas; e esta visão nos amedronta tanto que a maioria das pessoas passa pela vida evitando encarar as sombras da própria alma, fingindo que elas não estão lá; mentimos para si mesmos, dizendo que o mal é uma fantasia para amedrontar crianças e que a escuridão não existe; até então nosso maior medo é olhar para o abismo dentro de nós e perceber que ele já está olhando para nós. O fato é que são estas sombras que aprisionam os corações, mentes e vida das pessoas, mas como as mesmas não têm coragem de encará-las nem admitem sua existência, tais sombras continuam lá pulsando, olhando através de seus olhos, falando através de seus lábios, sussurrando pensamentos, sentimentos e emoções obscuras e destrutivas; se alimentando das vidas das pessoas, disparando todo tipo de desejos sem controle e impulsos animais. A grande verdade é que os seres humanos não são essencialmente bons, muito pelo contrário; o mal é a nossa natureza; e é justamente por tudo isso que precisamos desesperadamente de salvação.

Todas as vezes que deixamos nossa mente sem supervisão, essas sombras tentarão vir para a superfície tomar o controle; como já foi dito pelo famoso pintor espanhol Francisco de Goya: "Quando a razão adormece os monstros acordam".